O Samba me Rege

Tânia Moreira – São Paulo, 01 de Junho de 2020.


Fonte: Internet

Márcia Regina de Campos (47) uma mulher de fibra que trabalha na área administrativa e não esconde sua paixão pela música e por todas as alegrias que a acompanha. Reforça a luta em prol da “MULHER”, na música e principalmente nas rodas de samba, é representatividade, superação e perseverança ingredientes perfeitos para uma guerreira que no passado tinha um comportamento reservado e quieto; fazia parte do Coral da Igreja Metodista do bairro de Itaquera, mais a música despontou em sua vida e o interesse pelas cordas também, conheceu o seu primeiro instrumento, o violão e depois dele deu início às aulas de cavaco, foi então que surgiu a oportunidade para ingressar em um grupo de samba. Confira mais detalhes dessa linda trajetória no Batucada Feminina.

MARCINHA X MARCINHA

Após migrar do berço evangélico para o universo do samba ela se tornou uma pessoa muito mais comunicativa e feliz por estar no samba e entender que o mesmo lhe concedeu e ainda lhe concede, muitas alegrias. Ama carnaval e tem em seu coração o Pavilhão da “Morada do Samba”, assim apelidada carinhosamente o Recreativo Cultural Escola de Samba Mocidade Alegre, foi lá que aprendeu tocar tamborim, mas não pensem que essa aptidão surgiu do nada, ela tem em seu DNA uma linda história com grande representatividade como seu avô José de Campos (in memória) grande incentivador em sua vida principalmente pelo fato de crescer vendo ele tocar cavaco, violão, bandolim e acordeom, fora o Grupo Fundo de Quintal, Almir Guineto, Beth Carvalho (in memória) e Arlindo Cruz.
“Entre netos e bisnetos eu fui à única herdeira desse dom e agradeço por ele ser o grande responsável pela minha formação musical; eu aprendi tocar banjo e cavaco; mas gostaria de deixar claro que eu nunca sofri discriminação por ter migrado de um berço evangélico para o mundo do samba, pelo contrário eu recebi muito apoio: mãe Nanci de Melo Campos, pai Joel de Campos e avó Floriza Felix de Campos (in memória) eu sou privilegiada e feliz em fazer parte dessa linda família”, relata Marcinha.
Mas vamos viajar pelos anos 90 quando a Marcinha fazia parte do Grupo Pura Cor que era formado somente por homens, no caso primos e irmãos de uma amiga Andrea Arlindo. Nessa época eles costumavam tocar em um bar em Santana foi lá que conheceu sua amiga Edilene Santos apelidada carinhosamente por ela como Di do Cavaco e o destino uniu essas duas e com o passar do tempo juntou-se a Bene Silva e Sol Marcondes em um samba e a partir daí surgiu o convite para tocar banjo, detalhe nessa época ela não tinha um banjo, comprou um e aceitou o convite para fazer parte do Grupo Pura Raça e esse ano ela completa 20 anos ao lado dessa família.

DESABAFO DA MARCINHA

“Gostaria de deixar uma breve observação referente ao espaço cedido para as mulheres no cenário musical, atualmente estamos conquistando o nosso espaço, mais ainda há muita discriminação, somos fortes, pois quando uma mulher senta em uma roda de samba ela representa todas as outras mulheres, cantando e tocando; eu aprendi tocar banjo, cavaco, repique de mão, reco-reco, tamborim, caixa, pandeiro sou grata por tudo essa experiência que contribuiu muito para o meu crescimento, e deixo aqui meu recado que gostamos de ser lembradas todos os dias não somente no “Dia Internacional da Mulher”, fazemos samba de verdade e muito bem, tocamos com o coração e com muita garra, temos amor pelo samba, e se depender de nós, não deixaremos o samba morrer jamais, faço parte dos Banjeiros do Brasil juntamente com outras mulheres e estar ali é motivo de muito orgulho.”

FALA MARCINHA

“Quando eu sento na roda de samba sempre recebo uma frase de incentivo vinda de todos antes começar a cantar ou tocar; “MULHER”, nunca ter vergonha de tocar, pegue o instrumento e vamos tocar, nós temos uma banjeira em nossa roda; confesso que é perceptível que as mulheres que sentam nas rodas de samba ainda são discriminadas, mas isso já mudou bastante, porém, infelizmente pensam que ao sentarmos e pegarmos um instrumento vamos atrapalhar o andamento do samba, e logo vem à pergunta rotineira: você sabe tocar mesmo? Eu nem me abalo (risos) simplesmente sento e toco. Lembre-se, podemos estar aonde quisermos e fazer o que temos vontade sem preconceito algum”.

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Tânia Moreira também é Diretora de Comunicação do Batucada Feminina