Landão Jessé

Marcelo Lacerda – São Paulo, 21 de Julho de 2020.


Fonte: Arquivo Landão Jessé

Saudações povo do samba!

Essa semana trago à vocês a trajetória de outro grande músico de Guarulhos, ele que é um excelente percussionista e referência para muita gente na bateria, o meu parceiro Landão Jessé que conseguiu levar um pouco da nossa arte para vários cantos do planeta!

José Orlando Vieira, o “Landão Jessé”, nasceu em Guarulhos no ano de 1974. Descendente de família com grande tradição nas congadas e no samba (daí o seu DNA artístico) é neto de dona Maria, que era bandeireira da congada e de seu Tingó que tocava viola e banjo na congada, além de ser filho de dona Nair que era baiana na Escola de Samba Vai e Volta e do seu José Vanderlei (Delei Mussum) que era puxador da Escola de Samba Independência do Bom Clima.

Morador do Jardim Paraventi, treinava capoeira com o irmão Fabinho na associação “Rosa Baiana” do seu tio mestre Mirão. Logo em seguida, teve seu primeiro contato com a escola de samba “Vai e Volta” que tinha seu tio Ernesto e o China como presidentes, começou saindo na ala das crianças, até receber o convite do mestre Tibiça para participar na bateria  tocando malacacheta.

Teve contato sonoro com a batucada muito novo, sempre que podia ia aos ensaios do grupo “Colégio do Pagode”, que  seu primo Marcelo Marreta fazia parte, além dos amigos Dodão, Messias e Moacir e também nessa mesma época (aos 12 anos), teve contato sonoro com a harmonia através do seu Expedito, cavaquinista do grupo “Os chorões” que tocava seu cavaco com a afinação de bandolim.

Muito precoce, já trabalhava como artesão de pulseiras e também entregando leite, sabão e guardanapos e ainda aos 12 anos montou junto com os amigos e primos seu primeiro grupo de samba.

Com 13 anos foi convidado a participar do grupo “Kizombar” (Jorginho, Maurinho, Tibiça e Rogerinho do Cavaco), tocando repique de mão, nele participou do 1° Festival de Samba na praça 8 (no bairro do Taboão), onde o grupo ficou entre os primeiros colocados, mas pouco tempo depois o grupo veio a acabar.

Na sua adolescência, mesmo trabalhando em uma distribuidora de cigarros e estudando, começou a tocar surdo no grupo “Bem Mais Brasil” (Guzulão, Guzulinha e Joel) na casa noturna “Casa Blanca” no centro de Guarulhos, onde faziam abertura para show de grupos como “Fundo de Quintal”, “Só Preto Sem Preconceito”, “Pirraça”, entre outros.

Nessa época o grupo “Kizombar” voltou a ensaiar e o Tibiça que nesse momento do grupo estava tocando bateria, passou em um concurso  público da prefeitura de Guarulhos, convidou o Landão para substituí-lo, e esse então foi o pontapé inicial para que ele começasse a estudar bateria…

Mesmo com o final do “Kizombar”, Landão continuou seus estudos e começou a trabalhar como freelancer com o grupo “Mesa de Bar”(Bizoca do Cavaco, Zé Roberto, Pepe, Wilson Seis Cordas, Maurinho e outros feras) e participou da sua primeira apresentação na terra natal de seus avós em Cambuí ,Minas Gerais.

Pepe Rodriguez, do grupo “Mesa de Bar”, o incentivava a se aprofundar no estudo da música e o apresentou ao baterista Flavio Pimenta da ONG “Meninos do Morumbi”. Lá com 21 anos ele passa a estudar bateria e conhece o baterista Robertinho Silva que sempre lhe dizia: “todo baterista tem que tocar os ritmos brasileiros na percussão”, e essa frase fica marcada em sua vida. Logo após ingressa no curso de teoria e prática musical com o professor Fabio Bonvenuto no Conservatório Municipal de Guarulhos, onde fez parte do grupo “Ketubá” e com o qual organizou e participou do “Primeiro Encontro de Percussão Popular de Guarulhos”.

Em 1998 Wilson 6 cordas do grupo “Mesa de Bar” o apresenta ao grupo “Sem Contradição” da Vila Maria, o qual passa a ser integrante e tocar nas casas: Auge Bar, Alpendre, Amigos Bar, Pilequinho, Mistura Santana e Tatuapé, Consulado da Cerveja, Terra Brasil e outras.

Em 2000 tocou com Luizinho SP e Dudu Nobre no show de lançamento do seu primeiro CD em São Paulo capital e Interior.

Em 2001 começou a tocar com o grupo “Som Maior”, nas casas noturnas: Casa do Som (Guarulhos) e  também faziam o carnaval do Palace.

Em 2002 participou da gravação da trilha sonora do projeto “Samwaad-Encontro de Músicos Notáveis”, com arranjos de Madhup Mudgal (Grupo Indiano Gandharva), Benjamim Taubkin e Rafael Y Castro. Logo após participou do Espetáculo “Samwaad  Rua do Encontro”de direção de Ivaldo Bertazzo, se apresentando nas unidades do SESC de São Paulo ,capital e interior, Rio de Janeiro, Curitiba e no Festival de Música e Dança de Paris e Holanda.

Em 2005 trabalhou com Jamelão em temporada no Bar Brahma na esquina mais famosa do Brasil, época em que conheceu o mestre Dinho Gonçalves que lecionava bateria e percussão na escola Souza Lima com quem passou a aperfeiçoar seu estudo musical.

Em 2007 passou a integrar a banda “Clinica Geral –SP” que tocava com Almir Guineto em shows na capital e no interior, e seguiu nesse projeto até o ano 2017, paralelamente entre 2007 a 2011 participou de temporadas de shows de música e culturas brasileiras no Japão. Foi nessa época também que participou de shows com Tony Tornado.

De 2013 a 2016 participou do “Carnival in Calabar” na Nigéria, África, nesse período também trabalhou na casa de espetáculos “Terra da Garoa”, no musical “Sampa Samba” com Thobias da Vai Vai e Rubens Chachá.

Em 2016 participou da gravação do DVD em comemoração dos 30 anos do “Negritude Junior”, participou também da gravação do clip “Nega Soul” e de shows de “Célia Nascimento”.

Atualmente faz parte do grupo “Café de Raiz”, que resgata o samba tradicional de SP, RJ, MG e Bahia e é organizador da live “DRUM UBUNTU” na página @landaojesse.

Desde 2007 trabalha com o apoio e parceria de uma loja de instrumentos musicais.

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