Neilton Bezerra

Marcelo Lacerda – São Paulo, 28 de Julho de 2020.


Fonte: Revista Cavaco

Saudações povo do samba!

Essa semana venho apresentar um pedaço da trajetória de um amigo, também oriundo da Goiabeira no Jardim Munhoz, e confesso que para mim é muito bom falar desse parceiro que é além de amigo, foi parceiro de palco pois toquei muitos anos com esse bamba em diversas formações diferentes, em diversas casas noturnas de Guarulhos além dos descompromissados e não tão menos importantes  sambas de roda por aí a fora, até que por um ou outro motivo a vida tomou outros rumos, mas graças a Deus há algum tempo atrás o universo conspirou para o nosso reencontro e hoje estou aqui emocionado e honrado por poder contar um pouquinho da história desse grande músico de Guarulhos.  Neilton foi o professor de vários bambas do Jardim Munhoz e Ponte Grande, para quem não se atentou o nome dele é citado em diversas colunas passadas de outros músicos de peso que tiveram seu espaço nessa coluna.

Orgulhosamente venho essa semana falar do músico, cantor, compositor, multi instrumentista, autodidata: Neilton!

Neilton Bezerra nasceu em 1976 no “dia da mentira” na praça do Munhoz  literalmente, sua mãe a dona Maria Angélica Batista entrou em trabalho de parto ainda na praça e foi levada para o hospital Stela Maris para concluir o nascimento do filho.

Interessante dizer que ele nasceu no dia da mentira, pois quem não acredita em Deus, em espiritualidade, em  sobrenatural, ou simplesmente não conheceu o Neilton terá  todos os motivos pra dizer que o que aqui escrevo não seja verdade!

Neilton nasceu canhoto de pé e mão, mas toca como destro, nunca estudou música, porém desde cedo ouvia musica em grande parte do tempo. Aos 9 anos tocava na igreja contra baixo, guitarra e bateria, sem nem saber o que estava fazendo só pelo ouvido.

Tocava Sultans Of Swing do Dire Straits solando de ponta a ponta, nessa época apenas repetindo diversas vezes o disco.

Sua mãe (que também não tinha nenhum estudo musical) às vezes enquanto fazia seus afazeres e ouvia o Neilton tentando tirar alguma musica o orientava: está errado, não é essa nota não, e os dois iam apenas com o ouvido tentando encaixar o acorde certo.

Neilton então ficou tocando rock durante 4 anos até que o pastor da igreja descobriu e não gostou nem um pouco, Neilton então conheceu um grupo de samba do Munhoz chamado “Os Manos” composto pelo Luis, Henrique, Ricá, Agnaldo e Eduardo, se envolveu e aprendeu a tocar seu primeiro samba “Estação do AmorMauro Diniz e Eliana de Lima.

Começou então a tocar em diversas casas noturnas: Remexendo, Chanel Bar (onde a banda Raça Negra começou), Canti Bar, Pilhas Bar, no Paulinho Bar na Vila Maria, se apresentou em Bragança Paulista, e em outras casas renomadas, como o Tia Redonda.

Com o final do grupo, o Ricá montou o grupo Atividades que teve muita gente boa em suas formações, como o Choquito, Natal, B.A, Spock, Azedão, Xande, Tonzinho, Ademilson, Toninho do Surdo e o próprio Neilton .

Com o Grupo Atividades Neilton tocou se não em todas as casas, mas na maioria das casas noturnas de Guarulhos, além dos bares de samba como a Lanchonete do Dom Paulo onde eu o conheci.

Naquela época o Neilton ainda muito novo nem poderia tocar nas casas pela pouca idade e por não possuir a carteira da ordem dos músicos, então os mais velhos o levaram para fazer a tal carteira e pediram pra ele ler uma partitura, coisa que ele não sabia.

Então fizeram um teste com ele e ele acertou os 5 ritmos perguntados  e lhe concederam a carteira o que o possibilitou tocar na noite, ele conta que tocava em uma casa próxima ao cemitério da vila formosa e era tão pequeno que a mão dele não alcançava fazer o “Fá” no contrabaixo e ele tinha que buscar o “Fá” na parte de baixo na corda “Lá”.

Com essa mesma formação conheceram os baianos Ivan e sua mãe dona Idália proprietários do Ocasiões Bar onde tocaram por aproximadamente 10 anos .

Tocou por uma temporada em um grupo o qual fiz parte o Fascinasamba juntamente com o Ricá e ficou um bom tempo fazendo freelance em diversos grupos de peso da cidade como o Sambadá, além é claro dos sambas de roda no Zé Padeiro, onde era muito comum encontra-lo e onde também participou de sambas memoráveis, como o aniversário do Ceará (filho do Zé Padeiro).

As beiras de campo também eram locais comuns de se encontrar o Neilton e foi numa beira de campo na zona leste já em outro grupo formado também pelo Ricá o “Pura Cor” que o Luizinho do grupo Um Toque a Mais, conheceu e convidou o Pura Cor para tocar no Splash casa noturna da Penha onde tocaram por muitos anos também.

Após sair do Pura Cor, Neilton conheceu o bar do Giba no parque vitória, local onde acontecia aos domingos um dos sambas mais conceituados da zona norte e tocou por aproximadamente dez anos ao lado de feras como o Valério.

Depois disso Neilton passou por alguns momentos difíceis na vida o que o afastou das rodas de samba, porém dedicou os últimos anos às composições na sua grande maioria de música gospel (aproximadamente 300 composições) muitas delas com a parceria do violonista Ademilson Marçal.

Depois desse tempo de introspecção, reflexão e fé, Neilton está se preparando para seu retorno no samba em um projeto musical que está sendo preparado pela Goiabeira.

Estamos todos torcendo e esperando o retorno desse bamba para os palcos.

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