Ricá

Marcelo Lacerda – São Paulo, 08 de Junho de 2020.


Fonte: Arquivo Ricá

Ricardo Catigero Mustafa, filho de dona Neyde da Penha Brito Mustafá e Jamel Mustafá, nasceu em abril de 1966,  se apaixonou pelo samba nas batucadas de beira de campo nos anos 80,  pra ser mais exato em 1987 quando frequentava os campos do Juventude e Acadêmicos (times do Jardim Munhoz). Nessa mesma época teve sua casa desapropriada para obras da Marginal e se mudou para o bairro Santa Terezinha onde o destino o fez conhecer o pessoal do choro,  Gui,  seu Antonio,  onde se apaixonou pelo cavaquinho,  sua mãe dona Neyde vendo o interesse do filho foi até as lojas Mappin e comprou o instrumento de presente,  então  Ricardo começou a pegar seus primeiros acordes com o pessoal,  porém sofreu o golpe da perda de sua mãe precocemente e teve que retornar ao Jardim Munhoz,  onde reencontrou os seus amigos de infância . Nesse momento vários amigos já tocavam Luiz,  Henrique,  Eduardo,  Nelson e Aguinaldo formavam o grupo Os Manos e foi através deles que então Ricardo conheceu o samba bom de São Paulo e começou também a construir suas referências como grupo Arte Final,  Samba Lá de Casa,  Só preto e Fundo de quintal.

Começou estudando cavaquinho sozinho através da revista Ginga Brasil,  também nessa época conheceu o Neílton outro bamba autodidata que o ajudou no aprendizado e começaram uma parceria de muitos anos. Começou a tocar em várias casas de Guarulhos e em 1990 fundou juntamente com o Neílton o grupo Atividades (que fez história na Ponte Grande e Jardim Munhoz,  e foi também nessa época que eu Marcelo Lacerda conheci o Ricardo,  na lanchonete do Dom Paulo, lugar esse que reunia vários bambas da época),  nessa época o Ricardo já era conhecido como Ricá (um dos músicos que conheço com o maior repertório na cabeça). Depois de algum tempo parado já por volta dos anos 2000 o reencontrei tocando novamente no bar do Zé padeiro no jardim Munhoz que reunia músicos excelentes todos os finais de semana,  era um sobrado enorme (alguns chamavam de mansão) e mesmo assim ficava gente pra fora.

O saudoso Zé padeiro foi sem dúvida um grande incentivador do samba. Em 2002 montou um time, o grupo Beira do Rio, focado em tocar na praia de Peruíbe no Quiosque do Jorge onde fizeram várias temporadas e carnavais. Em 2006 fundou o Grupo Pura Cor,  que se apresentou em várias casas noturnas de São Paulo como: Splash Bar, Armazém do Chopp, Terra Brasil entre tantas outras. Ricá é figurinha carimbada no samba da goiabeira e sempre que tem samba no bar Zé Padeiro ele se faz presente.

Fez parte de toda história,  ensinou muita gente já virou patrimônio . Atualmente reside em Atibaia e toca em eventos e festas corporativas,  e o mais importante,  mesmo distante,  nunca deixou o samba e o samba nunca o deixou.

Nota do Músico: “Gostaria de deixar aqui um recado para a infinita lista de músicos que aqui não foram citados: são vocês que dão vida ao samba raiz,  só tenho a agradecer a todos que fizeram parte da minha história,  obrigado a todos os bambas que estiveram ao meu lado nessa caminhada!”

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