Luisa Hagiwara – Esbanjando Talento no Japão

Renata Romano – São Paulo, 30 de Junho de 2020.


Fonte: internet

A nossa coluna “O Samba é Delas” dessa semana, foi dar uma volta no outro lado do mundo e aterrissamos em terras japonesas, sim minhas leitoras e leitores no Japão, a terra do sol nascente.

Que é um país conhecido muito pela sua comida típica, enquanto nós brasileiros colocamos a mão no sushi, os japoneses amantes da nossa música popular brasileira, colocam samba no pé.

Poucas pessoas sabem, mas em Tóquio, tem carnaval todo ano, conhecido como Carnaval de Asakusa, um evento brasileiro em meio aos tantos festivais tradicionais e centenários no verão japonês.

Já são mais de 30 anos de Carnaval em Asakusa, que no começo os japoneses não entendiam muito bem a nossa batucada, mas com o tempo, dedicação, intercâmbios e alegria, eles se renderam a essa festa maravilhosa.

No nosso Brasil tem a colônia japonesa que tantas pessoas vão apreciar todos os dias no bairro da Liberdade e que virou parte da nossa cultura e nosso Samba hoje faz parte da cultura do povo japonês, que por ventura, já foram temas de vários sambas enredos das escolas de samba de São Paulo e do Rio de Janeiro.

E em terras japonesas, tem “Mulher no Samba”, cantando e tocando muito bem o cavaquinho brasileiro, isso mesmo meus leitores, nosso samba está sendo representado pela cantora, instrumentista Luísa Hagiwara.

Quando você assiste os vídeos da Luísa, é encantamento logo de cara, que delicadeza na voz, afinação, quanta segurança em tocar cavaquinho e quanto amor pela nossa música.

Ainda bem que temos a tecnologia de vídeo chamada a nosso favor, eu consegui chegar no Japão e a Luísa chegou no Brasil, para que pudéssemos bater um papo super descontraído, cheio de risadas e muita animação e posso dizer para vocês meus leitores, que ela está ótima no idioma português.

Luísa Hagiwara começou a tocar piano aos 6 anos de idade, por sua paixão com a música clássica. Aos 17 anos começou a estudar voz, depois se formou na Universidade de Tokyo Gakugei em Música Vocal Clássica, onde pode estudar também canções japonesas, italianas, alemãs e francesas.

Ao longo dos seus 25 anos de idade, a Luísa teve o privilégio de conhecer nossa música brasileira e logo se encantou pelo nosso Samba de Raiz e nossa Bossa Nova. Quando ela veio ao Brasil, se fascinou pelo cavaquinho e por ele ser um componente muito importante do samba já começou a tocar.

Luísa se encantou muito com os sambas dos anos 30, 40 e 80, pela elegância musical, profundidade das letras e pela humanidade que eles passavam.

Foi quando conheceu o músico Shotaro Shirai e começaram a trabalhar em seu álbum de samba, que deu o nome de Velas Brancas que também é o nome da sua página no Facebook, no qual, deixo essa dica pra vocês curtirem. Um álbum lindo onde Luísa e o Shotaro cantam e tocam composições de Cartola e Nelson Cavaquinho, um CD com estilo musical de choro e samba. Vale muito a pena acompanhá-los nas redes sociais.

E vamos ao nosso bate papo:

Como o Samba começou a fazer parte da sua vida?

Quando eu escutei o samba pela primeira vez achei muito lindo a força de viver nas letras das músicas, por causa da mistura multicultural. Eu estava andando nas ruas de Tóquio e eu escutei o samba pela primeira vez lá, a onde uma dupla estava tocando e cantando bossa nova. Na hora fiquei encantada e disse que queria aprender a cantar e tocar música brasileira. Fui em uma loja de CD no Japão e comprei dois CDs de samba.

Como foi a recepção da sua família e das pessoas no Japão ao ver você sendo uma interprete da música popular brasileira?

A minha família achou maravilhoso, aceitaram numa boa, aliás, as pessoas gostam de Samba e Bossa Nova, aqui no Japão, então não tive problemas em aceitação, por que tem muitos amigos músicos brasileiros e japoneses, cantando e tocando samba.

Por você ser mulher, sambista, instrumentista e japonesa, você sofreu algum preconceito?

Nunca sofri preconceito, pelo contrário, as pessoas gostam do meu trabalho e me admiram, mas teve uma vez que um músico japonês me disse que eu não deveria cantar samba e tocar cavaco, por que isso seria de homem, mas eu não discuti, só disse que estava fazendo o que eu amava.

Você é uma mulher instrumentista, além do piano, quais os outros instrumentos que você toca?

Eu toco cavaco, tantan, tamborim, ganza e agora estou aprendendo a tocar o Surdo.

Como você conheceu e aprendeu a tocar o cavaco?

Foi em uma visita minha ao Brasil em 2008 no Rio de Janeiro, fui conhecer uma loja de instrumentos musicais, no qual eu vi o cavaco achei bonito e pequeno e me encantei, comprei e comecei a estudar pelo You Tube. E em 2013 voltei novamente ao Rio de Janeiro e tive aulas de cavaco com o Jorge Filho do Conjunto Época de Ouro e com o Jaime Vinhore do Conjunto de Chorinho.

Quais são suas inspirações musicais?

Eu gosto muito do Cartola, Nelson Cavaquinho, Candeia, Alcione, Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Beth Carvalho, Fundo de Quintal, Zé Keti e João Bosco.

Quantas vezes você veio no Brasil?

Apenas duas vezes, mas eu quero ir mais, o carinho do povo brasileiro comigo é maravilhoso e a alegria é muito contagiante (nessa hora senti que a Luísa, gosta da nossa alegria, por que rimos muito) rs, mesmo não indo tanto ao Brasil, eu sempre estou de olho na cultura brasileira e nas novidades.

Tem muitos barzinhos que você canta e toca samba no Japão?

Sim, hoje vivo de música no Japão, toco em barzinhos, restaurantes sempre com o samba, mas também toco músicas clássicas em salas de concerto.

Obrigada Luísa Hagiwara, pela sua dedicação e amor pelo nosso Samba. Sei que estamos bem representadas por você. Sucesso na sua carreira!

 

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