Terno de Congo

Drico Mariano – São Paulo, 03 de Junho de 2020.


Fonte: Terno de Congo

Você sabe o quê é um Terno de Congo, ou já ouviu falar?

“Terno de Congo pra gente é uma religião, uma riqueza na cultura popular da Cidade de Machado muito grande, então você vai crescendo, vai se apaixonando, vai descobrindo as finalidades, as funções e ai você se apaixona mesmo”. Walter Luiz Nogueira.

Venho, com muita alegria apresentar pra você que não conhece essa vertente e maravilhosa cultura popular, A Congada!

Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Machado.

Realização Associação dos Congadeiros de Machado – Paróquia Sagrada Família – Prefeitura Municipal – Câmara Municipal de Machado.

 

TERNO DE CONGO DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DE MACHADO. (Cidade de Machado, Sul de Minas – MG).

Tradição, cores, sintonia na dança e no batuque da congada. Símbolo de resistência cultural.

Tem na Cidade de Machado, um evento cultural de monta maior, de cunho centenário e resistência cultural que se traduz no centésimo segundo ano (2020) de existência, e sempre na atividade.

A frente do terno, atualmente temos, Walter Luiz Nogueira, o Waltinho, desde 2003.

Ele nos conta que em 1918, nascia o caso em tela, “O TERNO DO ROSÁRIO“, lá pelas bandas da fazenda MATO DENTRO.

O ROSÁRIO, foi fundado por José Faustino de Assis, o primeiro CAPITÃO de CONGO, do presente TERNO.

Destarte, ao longo deste centenário, tivemos outros capitães de congo do Rosário, sendo assim eles: Baltazar dos Santos que inicio junto com FaustinoJoão Mileu, chegando a capitania, uma forma de administração ao Sr. Antônio Augusto Nogueira, mais conhecido como Antônio Serrador, por ser um serralheiro, (entre os anos de 1948 a 1952, quando a festa de São Benedito esteve interrompida devido a um litígio com a Igreja católica, Serrador assumiu), tempos depois passou o bastão para o seu filho Walter Nogueira onde administrou por muitos anos, e por motivo de enfermidade, deixou o legado ao atual Capitão Walter Luiz Nogueira, mais conhecido como Waltinho.

Assim sendo, temos três gerações da família Nogueira, a frente do Terno do Rosário. Todos capitães de congo.

Nesta esteira, temos a preservação desta cultura popular, por um grupo formado por 80 integrantes que por tradição levam filhos e netos, a participar desse teatro cultural a céu aberto que temos no TERNO DE CONGO DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO.

O Terno do Rosário tem como característica apresentar-se somente com homens na sua formação. Mas depois de muito tempo, abriu-se uma exceção onde as mulheres poderiam se apresentar trajando as mesmas vestes dos homens.

Nascido na Fazenda Mato Dentro, zona rural, onde lá no início o evento acontecia nas  festas de “NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO E DE SANTA EFIGÊNIA“.

Foi então que um pároco da Cidade de Machado  teve a ideia de trazer o evento pra cidade, assim unindo as três festas, onde passou a figurar como festa maior a de “SÃO BENEDITO”.

Por que, uma tradição e teatro a céu aberto?

O motivo pelo qual, temos vários tipos de representações a céu aberto durante o decurso do evento, encenados pelos personagens abaixo:

Capitão do congo: Visitar casas de pessoas que fazem ou fizeram parte da história;

Corte do Rei: Rei do Congo; Rainha do Congo, Rei Perpétuo, Rainha Perpétua, Rainha das Juízas, Rainha do Rosário, Rainha de Santa Efigênia, Rainha de Ramalhete, Rainha de embaixadaRainha de Promessas e Princesas.

Guarda Real: Capitão do Mastro, Capitão da Bandeira, Capitão Geral e Guardas.

Subida do Mastro e da bandeira de São Benedito;

Descimento do Mastro e da Bandeira de São Benedito.

Batuque e o Samba.

Batuque: tem como base as matrizes africanas (Guiné, Benim, Nigéria e etc…), no congado é uma dança que representa a coroação de rei do congo, acompanhado de um cortejo compassado, cavalgada, levantamento de mastro e músicas.

No congado, nas senzalas, era uma forma de cultuar e rezar para os santos, cantar pontos e etc….

O batuque surgiu como diversas religiões afro-brasileiras praticadas no Brasil, tem as raízes na África, tendo sido criado e adaptado pelos negros no tempo da escravidão.

O nome batuque era dado pelos brancos, sendo que os negros o chamavam de Pará.

Quando pensamos na palavra batuque, normalmente lembramos de uma percussão rústica, a batucada, mas, na verdade a palavra tem origem na religião, e não na percussão.

Batuque, é uma religião afro – brasileira de culto aos orixás (São Jorge – Ogum).

A palavra batuque se originou da palavra ” BATUKAJÉ “, termo “BANTU“, numa referência ao bater dos tambores típicos das cerimônias religiosas.

Samba : No congado o samba entra da seguinte maneira, em momentos de descontração cantavam sambas, com o passar dos tempos.

A base dos instrumentos raiz era: caixa de corda com couro de animal, reco-reco de madeira, pandeiro quadrado e chocalho de pé.

Atualmente temos outros instrumentos incorporados, sendo eles: cuíca, cavaquinho, banjo, viola, violão, tarol, tamborim, ganza, sanfona, rabeca ou violino, acordeon.

Esses instrumentos acompanham o canto (samba e pontos), que é entoado em letras em português, mas também em idioma bantu ( é o nome que se dá a um conjunto de povos da África.

O canto é puxado por uma pessoa e a multidão acompanha o refrão. As letras falam do sofrimento da escravidão, dos lamentos de um povo arrancado de sua terra.

Contudo, através da invocação dos santos e das forças do alto, são também cantos de esperança, redenção e na espera de vida melhor.

Destarte, a grande semelhança com uma bateria de escola de samba e uma grande variedade de instrumentos, com um ritmo contagiante, muitos quando ouvem e assistem os ternos de congo se apresentando e também a palavra batuque, assemelham ou associam ao samba.

Observações:

Existe na Cidade de Machado um terno mais antigo, o Terno de Congo de São Benedito, atualmente com 104 anos de existência.

Em Machado, existem uns dezesseis ternos de congo, sendo cinco infantis.

No território brasileiro em suas diversas regiões, encontraremos a Cultura do Congado.

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