Tânia Moreira, nasceu em uma família em que o samba passado de geração para geração, iniciando com seu avô Jayme de Aguiar. Desfilou desde a barriga da mãe, Lucíola Moreira, que era componente da Camisa Verde e Branco.

Junto com suas irmãs, Adriana Moreira e Roberta de Oliveira, assistia aos desfiles das escolas de samba pela televisão, e já demonstrava interesse pela bateria.

Junto com sua vontade de ser batuqueira, se desenvolvia também sua veia jornalística. “Um dia, eu quero ter uma credencial que possa estar perto de todas as baterias”, disse ela; e, a partir daí começou a galgar o seu objetivo. A vontade de falar sobre carnaval crescia, ao passo que seu envolvimento com a bateria também; tornando-se assim, o setor escolhido como seu assunto favorito.

O que justifica tamanho interesse, é o fato de considerar a bateria a maior ala em movimento de uma escola de samba. E foi participando do dia a dia deste setor, e percebeu que muitas vezes não são valorizados o ritmista é aquele que tem horário para chegar, mas não para ir embora; é aquele que encara dias de sol, de chuva, de frio e o que precisar para que o ritmo não se perca. Além disso, sentiu na pele a discriminação por ser mulher e batuqueira. Tudo aconteceu simultaneamente e, enquanto avançava em seu curso de jornalismo, surgia a vontade de criar um projeto que desse voz à mulher.

Fundadora e realizadora do BATUCADA FEMININA, Tânia sentiu a necessidade de ir em busca de pessoas como ela. O projeto, inicialmente, abordava o ingresso de mulheres que tocavam instrumentos tidos como masculinos em escolas de samba, tais como surdo, caixa e repinique. Após sofrer assédio moral de gênero, passou a buscar mulheres que sofriam preconceito por estarem onde estão.

Tornando-se uma porta-voz, ouviu opiniões diversas, mostrou a importância da mulher e devolveu a elas o orgulho de ser uma ritmista. Conforme o crescimento e conhecimento do público, Tânia foi procurada por mulheres que tocavam instrumentos em outros segmentos da música, como bandas de rock, forró ou seguiam em carreira solo. É um projeto que traz grande representatividade, e incentivo para que outras mulheres não se intimidem em estarem onde quiserem estar; dando credibilidade e fortalecimento ao projeto.

Atualmente, o Batucada Feminina tornou-se um porta voz da mulher batuqueira, instrumentista, ritmista que continua lutando contra o preconceito. E Tânia Moreira, continua nos miolos das baterias, sempre ouvindo e contando incríveis e inspiradoras histórias.

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Alô Comunidades!!

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